Petria Chaves

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22 out 2020
Lifestyle

Impostora, sim. E daí?

Ultimamente tenho acompanhado muitas mulheres que admiro, colegas, pessoas em geral comentando nas redes sobre isso que chamam de ‘síndrome da impostora’. Eu acho bem interessante esses termos que surgem de tempos em tempos e que nos permitem mergulhar um pouco mais em nós. 

Um dos principais problemas dessa síndrome seria a autossabotagem, que leva a pessoa a tamanho senso crítico que traz paralisia. Não deixa que ela siga a diante. 

Minha pergunta aqui é: e se formos impostoras mesmo? Fiquei pensando na minha vida, na minha trajetória pessoal e profissional. Pra mim, sempre uma coisa esteve muito enlaçada na outra. Quantas vezes simulei personagens que eu não fazia ideia se eram mesmo um retrato fiel de mim? Só para experimentar. Quantas vezes fui impostora, apostando em coisas que eu não fazia ideia que eu dava conta? Algumas deram certo, outras não. 

Estava na frente do espelho hoje e me veio essa reflexão. Impostora, sim. Mas corajosa. Quem, de verdade, não se sente assim? Hoje, em meio a tantas coisas acontecendo na vida, quase que diariamente me pergunto o que aquilo tem a ver com a minha essência. E tenho cada vez mais visto a vida como um palco. Um palco de experimentos. Pra gente testar. E pode dar errado. Eu sou uma sucessão de erros. Morro de vergonha. Mas vou fazer o que? 

Acho que uma das principais questões relativas a essa síndrome da impostora (eu não gosto de me adequar a nenhum desses títulos e rótulos, só para que saibam. Meu ascendente é aquário, eu sempre vou ter um pezinho no contra) é a questão de que nossa geração está pouco preparada para o erro. Pode dar errado. Podem não gostar da gente. Podem achar que a gente é um embuste. E daí mesmo? 

Não acho que seja fácil realizar e viver isso. Muito cedo eu comecei a procurar pessoas para me ajudar nessa caminhada de espelho de mim. Pessoas que eu construí confiança para trabalhar e brigar. E, mais importante, me enxergar. 

Eu posso falar por mim. Pela minha experiência. Ser ponte de algo pra esse mundo, entre meu universo interno e o que vejo aqui fora. Eu acho que a gente precisa aprender mais que somos uma mistura de impostor com coragem. Até hoje eu não sei o que eu sou. Tenho medo de me arriscar. Mas me arrisco. Dando a mão pra gente forte que me apoia, quando eu me sinto fraca. Caso eu venha a falhar. E acontece sempre. Eu acho que a noção de qualidade das relações nunca foi tão importante como nos dias de hoje. Qualidade de quem está ao nosso lado. Consciência. Gente que eu posso contar nos dedos, mas que me ajudam a encontrar a minha força pra seguir a diante. 

Somos esse misto. Reconhecer a síndrome da impostora não vai nos fazer menos impostoras. Que sejamos destemidas. Que possamos ter uma rede de apoio que nos permita errar. Essa construção talvez seja a mais importante. E nisso está o outro. Eu não sou nada sozinha. Absolutamente nada. 

Vejo uma exaltação da solidão e para mim esse nunca foi o caminho. Embora eu seja muito solitária dentro de mim, na vida real, o jogo é com o outro. O jogo dos espelhos. 

Hoje me senti mais leve. Impostora e corajosa. Tentando loucamente acertar. Mas entendendo que tá tudo certo. Inclusive nesse incômodo que segue comigo quase que diariamente.  A vida já é louca o bastante se a gente for prestar atenção. Que a gente seja mais apoio pro outro também poder errar. 

E assim seguir a vida. O jogo da vida. Pessoas reais. Num mundo plástico e virtual que tem nos exigido mais esse corpo de carne e osso. De erros, mas de verdade. 

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  • Marcela Malini
    22/10/2020

    Que bom te.ler.
    Amor ❤️ que saudade de bater papo com vc e ouVER essas idéias com uma.mesa entre nós.
    Meu ascendente TB eh aquário. Hehe bjs

    Reply
    • Petria Chaves
      Marcela Malini
      23/10/2020

      amiga linda. comenta em todos, ta? amo ❤ ascendente aquario 4ever 💥❤

      Reply
  • Juliana Rosa
    23/10/2020

    Que lindo! Amei! ❤️

    Reply
    • Petria Chaves
      Juliana Rosa
      23/10/2020

      amo vc por aqui, ju ❤

      Reply
  • Jon Abreu
    23/10/2020

    Eu degustei cada palavra desse texto e concordo muito com a Marcela no comentário anterior – que delícia te ler. Sobretudo discorrendo de algo que tem sido muito minha reflexão por esses tempos: ‘Quem eu sou’. Tantos formatos, tantos personagens, às vezes sério, às vezes cômico. Às vezes triste, às vezes alegre. Às vezes assim, às vezes assado. E quantos eus couberem dentro de mim. Tenho me acalentado na certeza de que nossa essência não se perde no meio dessas muitas faces, talvez ela se fortaleça. Talvez seja o exercício da força que ela tem. Ser impostor nesse sentido, é estar vivo, e sempre disponível pra vida. Não somos mais os mesmos do minuto anterior. A evolução é constante, as adaptações são necessárias, é preciso descansar na certeza de que esse infinito que nos habita, só quer se manifestar. E que ele tenha a liberdade para fazê-lo todos os dias.

    Reply
    • Petria Chaves
      Jon Abreu
      23/10/2020

      amado! que delícia ter vc aqui e as duas reflexões! tb adoro te ler e saber tuas percepções :) ❤

      Reply
  • Hedilberto Correa Ferrazza
    01/11/2020

    Oi Petria adorei o seu post sobre impostora achou que vc posou muito bem no espelho para trabalhar na Rádio CBN vc está de parabéns. Quero contar uma coisa: quero que vc comece a assistir a #dancadosfamosos quadro que está fazendo um sucesso na TV Globo e depois vc vai receber um convite do Faustão pra ser jurada e vc é quem vai escolher se é Juri Artístico ou Juri Técnico para o Domingão tá bem? Boa semana pra vc Petria e para os ouvintes da CBN.

    Reply
  • Regina
    21/11/2023

    Petriaaaa,

    Que delicia de texto. Tão profundo, tão atual e tão ecoante em mim! Beijos Regina Moura (Roche)

    Reply
  • Monica Wille
    21/09/2024

    Nossa Petria!
    Ouvi você no podcast do Éd René, estou lendo teu livro e te procurei nas redes sociais. Estou inundada pelo teu livro e pelos teus textos, amando tudo.
    Muito obrigada pelas reflexões e pelas pessoas presentes na tua obra.
    Amei quando disse pro Èd que teu livro não traria respostas. Sou psicanalista e essa é uma das premissas do meu trabalho. Amei te conhecer. Já sou fã.
    A história da menina vendendo pano na saída do shopping mexeu muito comigo, nossa realidade diária. Sou professora da rede pública e essa realidade me é muito presente.
    Grata ao Èd por te conhecer e a você por ser quem és.
    Grande beijo.

    Reply
    • Petria Chaves
      Monica Wille
      21/09/2024

      que alegria, monica ❤️

      Reply

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Olá, sou Petria Chaves

Olá, sou Petria Chaves

Jornalista, apresentadora da Rádio CBN. Palestrante e mediadora de debates e talkshows.

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