
Yoga pra lá. Namastê pra cá. Gratidão. Paz. Alegria. Contentamento. Mindfulness.
Acredito que você já tenha ouvido e lido sobre esses termos. Nos últimos tempos muitas pessoas começaram a se interessar por isso. Pelo menos, é o que vejo nas redes sociais. Há quem olhe com desconfiança. Ou preconceito. Há de tudo um pouco nessa salada das redes e comportamentos sociais.
Eu sempre soube que precisava mexer meu corpo. Mas nunca gostei de esportes competitivos. A competição, de maneira geral, me faz mal demais. Me parece cancerígena. E nunca foi minha praia, apesar de até me sair bem nos esportes na escola.
Eu sempre tive um interesse a respeito do que era chamado “espiritual”. E sempre tive um interesse imenso, apaixonado, por culturas bem diferentes da minha.
Não à toa hoje sou casada com um judeu e vivo em meio a uma comunidade que muitas vezes me traz a sensação deliciosa de ser sempre uma estrangeira.
Pois bem. Ser estrangeiro nessa vida.

Está aí uma sensação que, de certa forma, sempre tive. De passagem, por lugares e eventos. Com um olhar sempre novo. Às vezes, medroso. Às vezes, ansioso. Tudo pra mim sempre pareceu muito novo e, por vezes, inadequado, nessa vida. Eu me sentir inadequada talvez não seja exatamente a palavra. Mas sempre me senti muito diferente.
Isso me fez buscar algum sentido para meus sentidos. Será que sou mesmo diferente? Ou será que é para ser assim mesmo? Nunca entendia aqueles grupos apaixonados de pessoas, os grupinhos na escola, ou os grupos que sempre saem para almoçar juntos durante o expediente comercial. Meu companheiro sempre foi o silêncio. Que me nutre e me faz tão bem.
Mas nem sempre o silêncio, e essa necessidade, é bem vista. Parece algo excêntrico. Coisa de gente estranha. Já percebeu? A timidez e a introspecção muitas vezes são levadas como algo que não está muito correto. Vejo isso até hoje, pois tenho dois filhos e presto muita atenção como eu, eles e a comunidade estabelecem seus relacionamentos com determinados tipos de comportamento.
Pois bem. Eu não sou tímida. E não me diria apenas introspectiva. Eu sou amante do silêncio.

Quando comecei a estudar algumas filosofias orientais, e o próprio judaísmo, percebi sempre a referência e a importância desse estado meditativo. Até como momento de balanço para a vida prática.
Mas, então, por que não cultuamos uma postura de mais equilíbrio em tudo na vida? Interessante que agora, me parece, as redes sociais estão nos ajudando com essa difusão de informação.
Conheci o yoga aos 23 anos. Através de uma amiga que estava encantada com um novo universo que tinha se aberto para ela. De silêncio em meio à tanta falação. Nós duas, jornalistas agitadas, mas tão diferentes uma da outra. A minha conexão também foi explosiva.

Com o yoga que pratico, e que conheci por meio dela, consegui exaurir meu corpo para entrar num silêncio saudável. Não no silêncio gritante dos meus pensamentos. Encontrei uma tecnologia de lapidar o corpo, a máquina mais genial que já foi inventada na Terra; um lapidar para que meu espírito pudesse estar confortável dentro dele.
Quantas vezes nos sentimos inadequados no nosso corpo? No nosso silêncio? Ou na nossa inquietação? Exaurir esse corpo pode ajudar a dar vazão a mais inspiração.
O yoga não torna ninguém bonzinho. Ninguém é mais fofinho ou perfeito porque começou a praticar. Apenas que o yoga nos ajuda a organizar tanto engano que a gente veio construindo ao longo da vida. Organizar para, quem sabe, construir algo novo no momento que nos for adequado. Seja pela rotina da prática, pelo exercício físico, pelo comprometimento, por buscar não violentar o corpo durante a prática, pelo estudo da ética e filosofia por trás, pela respiração, pela percepção e correção da competição externa completamente vazia… motivos não faltam para conhecer, insistir e persistir em encontrar um meio de praticar.

Seja lá qual o tipo em que você se encontre, no meu caso a ashtanga vinyasa yoga é que faz minha cabeça, vejo como um dos caminhos possíveis para amenizar a dor que muitas vezes é estar vivo. Além da possibilidade de você começar a encontrar outras pessoas que, mesmo tão diferentes de você, estejam nessa mesma busca pelo mistério que é estar vivo, desconstruindo o que nos ensinaram como bom, belo e correto.
Hedilberto Correa Ferrazza
Petria adoro os posts que vc faz acho que yoga deve continuar neste ano de 2021 mesmo com a pandemia de Covid 19 que já matou mais de 200 mil vidas perdidas. Acho que a Carolina Morand que apresenta o Ponto Final CBN vai gostar do seu post, Feliz 2021 atrasado Petria.
Petria
Hedilberto Correa FerrazzaObrigada! Feliz 2021!
Ludmilla Machado
Petrea querida, sabes o quanto gosto de estar perto de você por aqui. Tenho 63 anos, possivelmente a mesma da sua mãe. Incrível como pareço uma estranha aos olhos da balbúrdia constante e eu sempre na busca de mim através do silêncio. Como amo o silêncio. Sou espírita, e o entendimento de que somos espiritos, é tão deturpado e as pessoas dizem tantas asneiras que é melhor nem dizer, só ser. A meditação tem me fortalecido o meu autorncontro e cada dia mais sinto a necessidade boa de estar comigo. As horas que passo aquarelando, aquelas aguas coloridas, junto ao silêncio, me transportam para estados psicologicos tão agradáveis, que as vezes nem quero sair de lá. Depois de muitos anos numa vida tumultuada criando filhos, repetindo padrões tao tristes, estou gostando de envelhecer, pois é agora que estou me abraçando através da meditação, sugestão que os espiritos me deram lá atrás e so agora de 2 anos pra cá, entre idas e vindas, firmei o pé em mim….me sinto como você, bem e querendo espalhar sentimentos bons. Busco-me, busco minha criança ferida que ficou pelo caminho vencendo os desafios e as proprias escolhas e coloco-a em meu colo e a acarinho. Um grande afago em você e sua família. Sigo-te com imenso gosto. Bj Ludmilla
MARISA JUSTINA AROSIO
Sinto-me muito conectada com suas percepções acerca da espiritualidade. A Yoga é um caminho novo para mim. bacana é que você escolheu e atua em uma profissão que dispensa o silêncio, cuja principal ferramenta é a comunicação, seja escrita, seja falada. É ação o tempo todo! Concorda que há um paradoxo? Conto com acolhimento e sinceridade de contrapor-se a minha manifestação. Muito obrigada por existir e ser inspiradora a novos conhecimentos e vivências na Comunidade do Despertar. Abraço!.
Petria Chaves
MARISA JUSTINA AROSIOÉ isso mesmo! Nossa vida é o paradoxo! E por isso a beleza! Quem busca conforto busca a não vida! Beijinho. Adorei a mensagem!
Raphael Peretta Joseph
Gostei, Petria. Entendi que o Ioga não é uma nova religião. Ioga é como um propósito de vida, mas igual para todos andarem. Então você terá que descobrir algo novo. Um Ioga para você. Não como um animalzinho que se adquire e deixa de lado quando envelhece. Busca de vida. Vida abundantemente rica de valores. Ah, já comecei à praticar em 2021. Encontrei o e-book Ioga para homens. Paz ♾️.
Petria Chaves
Raphael Peretta JosephDemais, Rapha!
Aline Celente
Vou tentar fazer aulas de yoga online pela primeira vez esse ano. ☺️ Ainda tenho um pouco de resistência em fazer isso a distância, mas entendo que não praticar seria pior.
Obrigada pelas palavras, Petria. Tbm considero o silêncio uma fonte importantíssima para o auto-conhecimento e refinamento de quem somos.
Um beijo grande, vc é super inspiração. Feliz novo ciclo.
Petria Chaves
Aline CelenteMaravilhoso! Me conta depois como foi!